By - - 0 Comentários

Problema atinge moradores de Conjunto Habitacional.
Há mais de 10 anos, eles foram avisados do perigo.

A contaminação do solo volta a ser motivo de preocupação para os moradores da Zona Norte de São Paulo. O problema acontece no Conjunto Habitacional Nossa Senhora da Penha, na região da Vila Nova Cachoeirinha. Há mais de 10 anos, as famílias foram avisadas sobre o perigo e até hoje vivem na incerteza.

Das 73 famílias que moravam nas casas, 23 já se mudaram. “99% querem ficar porque já mexeram nas casas, já construíram, tem casas aqui que o pessoal gastou dinheiro que recebeu de indenizações”, conta o porteiro Juracir Felizberto.

Na década de 80, um aterro sanitário funcionava na área. Depois que ele foi desativado, a Prefeitura doou o terreno para a Cohab. Os moradores construíram as casas numa espécie de mutirão e foi em 1999, há 13 anos, que eles descobriram que o solo estava contaminado.

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) confirmou que havia no terreno uma grande quantidade de lixo que, em decomposição, forma o gás metano. A quantidade que havia era suficiente, para provocar explosões. O Ministério Público abriu um processo pedindo a remoção das famílias.

José Raimundo de Sousa é líder comunitário. Mora na Cohab há 18 anos e conta que ainda não sabe quando todos vão se mudar. “Hoje em dia qualquer um que você pergunta: ‘você vai sair? Vou. Quando? Não sei’. Então, essas coisas que nós precisamos ter uma clareza de que forma que vai ser feito tudo isso.”

A prefeitura de São Paulo diz que vai pagar auxílio aluguel pra quem quiser sair. Mas enquanto isso, a preocupação é grande. A Cetesb instalou um dreno para tirar o gás e diminuir os riscos de explosão e afirma que faz medições no terreno, todo mês.

O problema enfrentado pelos moradores da Cohab não é o único na cidade. No ano passado, o Shopping Center Norte foi interditado por risco de explosão.

Por causa da contaminação da área, a Prefeitura fechou duas escolas municipais que funcionavam perto do conjunto habitacional. Os prédios foram abandonados e servem de depósito para lixo, restos de comida, garrafas vazias e até ponto de uso de drogas.

A Prefeitura de São Paulo disse que mantém homens da Guarda Civil Metropolitana na área que fica entra as duas escolas e que desde 2006, realiza o monitoramento e a extração do gás metano. Diz também que a subprefeitura da Casa Verde já retirou sete toneladas de lixo do local.

Sobre o Conjunto Habitacional Nossa Senhora da Penha, a Prefeitura disse que os moradores irão continuar lá até que saia uma decisão judicial. A Prefeitura diz ainda que no caso do Shopping Center Norte houve o descumprimento de exigências de manutenção e que por isso ele foi fechado e que a situação não é a mesma do conjunto de prédios.