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Desde que o Funk brasileiro se estabeleceu como Funk, ele é alvo de criticas e adjetivo pejorativos. “Música de preto; música de favelado; música de pobre, vagabundo, ‘nóia’, puta etc”. Todas as expressões conotam um sentido preconceituoso, racista, classista, sexista e outras categorias existentes.

Os comentários pejorativos a respeito do funk não surgiram após a criação da vertente (amplamente criticada) e conhecida como “proibidão”. Tudo se iniciou muito antes. Quando o funk era conhecido pela vertente de protesto, denominada hoje como “funk de raiz”, foi criticado. Quando a vertente melody surgiu, foi criticado. Quando a vertente “proibidão” surgiu, foi ainda mais criticado. Hoje, com o surgimento e grande difusão da vertente “Ostentação”, tudo é criticado. Do protesto à “Ostentação”, tudo é a mesma coisa aos olhos dos que dão de ombros para os processos históricos e sociais que consolidaram o funk como gênero musical brasileiro.

Sempre quando me deparo com alguém discutindo sobre funk ouço comentários do tipo: “mas funk não é música; funk é uma merda; funk só tem putaria, apologia, ostentação…”. Ou “funk alicia os jovens e crianças para a putaria e/ou para o mundo do crime”.

As mesmas pessoas que criticam o gênero musical não se atentam para o restante de informação e signos que norteia e bombardeia a realidade social. Poucos levantam criticas contra as propagandas de produtos alimentícios que induzem as crianças ao consumo desenfreado utilizando imagens de personagens de desenhos animados; poucos criticam os comerciais racistas das propagandas de margarina, das montadoras de veículos (alguém ai vê com freqüência um negro nesses comerciais ? – não vou aceitar os comerciais onde eles aparecem ora como vendedor, ora como jogador de futebol, ora como subalternos); poucos criticam os programas de “humor!” que abusam dos estereótipos (vide Zorra Total, Sai de Baixo, Agora é tarde etc); poucos criticam às representações em novelas que reforçam e reproduzem a violência e o preconceito étnico, de gênero, social etc; poucos criticam os abusos e violações constitucionais cometidos pelos segmentos religiosos veiculados pela tevê aberta.